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Jubileu de Brilhante - 75 anos da Associação Musical de Ribeirão Preto
Autor(a): Gisele Laura Haddad
ISBN: 978-85-63853-44
Lançamento: 15/12/2013
Formato: 22cm X 28cm
280 paginas
Preço: R$ESGOTADO

A cultura musical surge de mentalidades e contextos específicos constituídos historicamente no interior de cada sociedade. Por isso, tem a propriedade de guardar a identidade, o gênio do povo que a originou. Mas, a despeito de nascer plantada em um determinado chão, ela viaja, desloca-se de um lugar a outro sem os limites das fronteiras, das línguas, da política e da economia. Ultrapassa classes e grupos étnicos colorindo-se de tons distintos e enriquecendo com cores diversas aqueles que com ela tem contato.

Forma de expressão de natureza universal e, ao mesmo tempo, referência identitária, a música com certeza esteve presente na história de Ribeirão Preto desde o seu início. De acordo com Fernando de Azevedo, em seu clássico “Cultura Brasileira”, é possível afirmar que a religiosa tenha sido uma das primeiras manifestações da música artística brasileira no período colonial. No mesmo livro, cita Mário de Andrade, quando escreveu que “o som foi sempre elemento de edificação religiosa”. Nas capelas, igrejas e celebrações católicas certamente entoavam-se ladainhas e louvores aos santos de devoção, enquanto na labuta diária dos escravizados africanos esses ritmos possivelmente já se misturavam com os batuques.

No “Novo Oeste Paulista”, expressão histórica para designar a atual região administrativa de Ribeirão Preto, a explosão da economia cafeeira, a chegada da ferrovia e dos trabalhadores estrangeiros, entre o final do século XIX e no início do XX, agregaram outros elementos a esse cenário. Nos trilhos do trem e nas malas dos imigrantes novos costumes e gostos musicais, entre eles, a música erudita, por aqui aportaram, intensificando a influência europeia nos modos de fazer e de viver locais.

Importava-se da Europa quase tudo. Cassinos, como o Eldorado de 1894, teatros, como o Carlos Gomes, de 1897, eram edificados para dar vazão ao desejo da elite de ter lazer nos moldes franceses. Nas lojas, tecidos e modelos da última estação parisiense eram vendidos às damas do café.

O contato e as trocas decorrentes desse processo proporcionaram variadas experiências que se constituíram ao longo do tempo, e que estão historiadas neste livro de Gisele Haddad e Ferraz Jr., “Jubileu de Brilhante, os 75 anos da Associação Musical de Ribeirão Preto”. Da sua introdução, passando por seus nove capítulos, a obra joga luz à trajetória da Associação Musical que mantém a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto (OSRP), desde 1938.

Com foco nas relações humanas e no ambiente urbano como o espaço por excelência da organização da OSRP, este livro é um importante registro da sua importância e do seu impacto cultural. Caracteriza-se por uma contextualização primorosa, permeada pela densidade da compilação dos dados e pela subjetividade das lembranças.

Por tudo isso, a travessia por suas páginas é fácil e prazerosa. A linguagem esclarece os fatos e favorece a interpretação. A estrutura e a abordagem movimentam o conteúdo, possibilitando o aprendizado sobre o tema. A cada capítulo cresce o envolvimento do leitor com a música, com a difusão da arte, com os músicos e, por fim, com a história da Associação Musical.

O fruto dos trabalhos acadêmicos e de outras pesquisas realizadas pelos autores cumpre assim a função de dar asas à história da OSRP para além do mundo da academia, das prateleiras empoeiradas dos arquivos e das memórias daqueles cujas vivências se misturam à própria existência da Orquestra.

Finalmente, termino essas linhas dizendo do prazer que foi apresentar este livro, e por esta honra, eu agradeço aos autores pelo convite. Aos leitores, antecipo que é impossível navegar por esta obra e dela sair sem ser transformado por Euterpe e Clio. Estas musas, que inspiram os amantes da Música e da História, tem ganhado cada vez mais espaço entre os ribeirãopretanos, que veem despertado um sequioso desejo de conquista de sua cidadania cultural, para a qual, sem dúvida, este trabalho colabora.

 

Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa

Doutora e Mestre em História pela UNESP/Franca,

coordenadora do grupo de pesquisa do Inventário

Nacional de Referências Culturais em Ribeirão Preto

- Rede de Cooperação Identidades Culturais

 

Ribeirão Preto, 16 de julho de 2013.

 

 

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