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Dedo de Prosa em Poesia
Autor(a): Lucília Maria Sousa
ISBN: 9788563853523
Lançamento: 17/12/2013
Formato: 10,5 x 21 cm
130 paginas
Preço: R$15,00

Se “Dedos de prosa em poesia” fosse um remédio, traria na bula a recomen-dação: tome uma vez ao dia, todos os dias, até que as dores que você não sabia que sente não parem mais de se manifestar. Só assim, você estará vivo. Coletânea de histórias de mulheres, o livro rompe os limites de gênero usando as dores do feminino como ponto de partida para uma reflexão sobre a existência humana. Entre a menina abandonada pelo pai, a equilibrista de circo, a costureira, a doida da rua, e tantas outras personagens perpassa a inquietude da pergunta de “Coceira”: “até quando dura a última gota?” Viver, e não simplesmente cumprir a sina de seguir até a morte, como um boi no abatedouro, se revela nessas perso-nagens amortecidas, que vivem um dia após o outro sem a leveza do passarinho, que voa “sem saber de ressecamentos; sem conhecer que pedra é dureza”. Que voa sem saber que voa. Nenhuma dessas histórias escapa da constatação de que o tempo avança e de que ter essa consciência torna tudo inquietante. Mas, no final, haverá diferença entre seguir feito boi e assumir as rédeas da vida? Procure a resposta nas páginas de “Dedos de Prosa em Poesia”, mas não deixe de saborear as formas do livro. Talvez o contato com a música popular e as diversas fontes poéticas de que bebeu, tenham levado a autora a fazer poesia escrevendo em prosa, a narrar como se escrevesse em verso. As palavras casam sem rima e no ritmo exato de revelarem, no espremer de cada história, a beleza, presente nas obras que se firmam como peça de arte.

Julio Wiziack é repórter especial da Folha de S.Paulo

 

Prosa e poesia que (as)somam

Prosa e poesia poesia e prosa. Entre a prosa e a poesia, assim vive Lucília. Dona da palavra e, ao mesmo tempo, a palavra dona de Lucília. Sem ela a palavra não existiria e da mesma forma que Lucília sem a palavra não seria Lucília. Cada uma vai construindo o seu mundo e nos construindo como sujeitos pelo mundo da palavra. Como viver sem as duas, não saberíamos dizer pois, se as duas não existissem, seria necessário inventar o mundo não pelo recomeço, na versão do pecado do mundo cristão, mas tudo de novo pela palavra com as duas juntas e separadas e ao mesmo tempo pois, quando uma separa a outra, a outra puxa a outra para juntas poderem significar enlaçando-nos à vida da palavra. Porque a palavra na relação do pecado se afasta para significar não só o pecado, mas e, também, a redenção à vida. Palavra incerta palavra certa palavra cobiçada rebuscada açoitada palavra de Lucília para encantar a todos nós que gostamos de viver a palavra, estudar a palavra, mexer com a palavra. Como prefaciar um livro cheio de palavras cheio de vida com palavras? Como dizer com palavras o que a palavra de Lucília significa para nós amantes da palavra? O que significa a palavra Lucília ou a Lucília palavra? Como dizer com palavras algo que as palavras teimam em calar para nos deixar ver o valor da palavra quando do dizer de Lucília? Difícil tarefa para aquele que ama a palavra e a palavra de Lucília. À força de procurar uma palavra ficamos repetindo Escravos de Jô/jogavam caxangá/tira, bota/deixa o Zé Pereira ficar/Guerreiros com guerreiros/fazem zigue-zigue-zá/guerreiros com guerreios/fazem zigue-zigue-zá como na velha canção de infância. Procurando palavras seguimos para nos encadear nos encerrar nos lamuriar nos afrontar nos entender nos desvendar nos roçar nas palavras de Lucília. E quanto mais procuramos, mais nos damos conta que, pela nossa palavra, esvaziamos sentidos mesmo transbordando lembranças. Ao abrir nossa mala de palavras, elas ainda assim não nos ajudam a dizer o que sentimos lendo a poesia prosa de Lucília. Era para ser só alegria, mas nos sentimos impotentes frente à tamanha bonança, a tamanho faiscar de palavras. Parece que nossa memória se perde nos deixando nus, nus de palavras, igual à criança pequena embasbacada diante de uma luz que brilha tanto, criança perdida nas estrelas procurando palavras em um breu enorme antes do entendimento do que seja uma palavra pois como ela mesmo nos diz: A doida morava acompanhada,/mas vivia/só/sempre sozinha. Sozinhos vamos, sozinhos ficamos em um lugar onde nos falta um marco fixo para encontrar palavras para não trazer o mesmo, o da ordem do repetível. Estamos vazios de palavras tamanha a força da palavra de Lucília, tamanho encantamento que, ao mesmo tempo que preenche, esvazia o mundo que conhecemos da poesia e da prosa, do politicamente correto, do politicamente perfeito e estabilizado. E como no dizer de Lucília, com os dedos nas cordas,/ curvos em uma nova tentativa de procurar a palavra nascida em um lugar que se fala várias línguas mas que não falamos nenhuma. Mas uma coisa é certa, podemos dizer, sem vacilo, que Lucília caminha com seus lutos e suas culpas metaforizando pela palavra seus sintomas, sinalizando suas presenças. Tudo ali está posto. Ilusão desilusão, Crença descrença. Segurança medo. Instabilidade e desejo de um mundo melhor através de uma força, ao mesmo tempo, criadora e destruidora da palavra. Ela nos mostra a tonalidade dos laços que falam pelas palavras e que nos afetam e nos constituem com o outro e Outro que entram na nossa vida sem licença. Mas as palavras de Lucília, como em um véu espesso e colorido, encobrem, também, a dor da alma modelando e reconfigurando majestosamente a boca cheia de restos do sujeito que somos e fomos para, na forma de um sonho empoçado, ouvirmos o ruído, sem respiração, de um silêncio leitoso de palavras. Quente/Até a língua/Sem palavra. Entre leitor, mas vá devagar para poder saborear todas as palavras, leia, releia quantas vezes for preciso para que escondido na umidade, pulsante em visgosidade e trêmulo em seu próprio enigma de não sair de dentro consigas prosseguir o tempo através da palavra de Lucília para poder dizer como ela: eta prosa boa ... Amanda Scherer.

 

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