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A Rainha do Agronegócio
Autor(a): Geraldo Hasse
ISBN: 978-85-63853-04
Lançamento: 15/09/2011
Formato: 14cm X 21 cm
152 paginas
Preço: R$25,00

Este ensaio focaliza um fenômeno histórico pouco estudado: a expansão da soja em território brasileiro. Em cerca de 50 anos a leguminosa Glycine max fez o equivalente ao que haviam feito a gramínea Saccharum officinarum (cana-de-açúcar) e a rubiácea Coffea arabica (café) nos seus devidos tempos.

Se a cana-de-açúcar lembra os tempos coloniais e o café recorda a transição do império para a república, a soja tem a cara do Brasil surgido depois da Segunda Guerra Mundial. Um país que trocou a letargia litorânea pela aventura da ocupação do Brasil Central, onde, no espaço de duas ou três gerações, nasceram centenas de cidades cujo dinamismo brota nitidamente das atividades agrícolas.

A soja foi o estopim, o agente, o símbolo de uma revolução praticamente desconhecida nas escolas, nas empresas e nas repartições públicas.

Durante décadas, desde o primeiro registro do seu aparecimento num sítio da Bahia em 1882, a soja ficou restrita às hortas dos imigrantes japoneses no interior paulista e às roças dos colonos europeus da zona missioneira do Rio Grande do Sul. Os asiáticos a comiam, os europeus a davam aos porcos. Nas escolas agrícolas, os professores não lhe poupavam elogios mas, economicamente, a planta era pouco mais do que zero.

Desde o princípio a soja rolou sobretudo nas mãos dos estrangeiros que viviam entre nós. Em 1938, quando o Brasil embarcou, em Porto Alegre, a primeira carga de grãos de soja – provisão para uma Alemanha pronta para a guerra –,  delineou-se sua vocação para o mercado externo.

A aptidão como matéria-prima agroindustrial só seria explorada um pouco mais tarde, nos anos 1940, quando algumas fábricas começaram a admitir a hipótese de adicionar óleo de soja aos “óleos graxos” de origem vegetal produzidos sobretudo no estado de São Paulo para atender aos chamados “paladares exigentes” ou a quem tinha problemas de saúde por causa das gorduras usadas no Brasil, principalmente banha de porco.  

A primeira lata de óleo de soja produzido no Brasil, no princípio da década de 50,  teve o nome Santa Rosa, em homenagem à cidade gaúcha onde a planta chinesa obteve a melhor acolhida. E assim começou a se cumprir um sólido destino. O grãozinho oriental ajudou o Brasil a acordar de um sono litorâneo de 400 anos e o fez sair em marcha para o oeste e para o norte.  

Inicialmente a cavalo no trigo, depois pelas suas próprias forças, a soja foi o pivô da ocupação agrícola do cerrado, fincando em solo do Brasil Central as raízes de uma nova civilização.   

A corrida da soja espalhou pelo Brasil milhares de  colonos de origem européia-gaúcha que saíram do Sul atrás de terra barata e receberam do governo formidável estímulo para a expansão da fronteira agrícola.

Abrir estradas, implantar lavouras e fundar cidades tornou-se uma espécie de missão sagrada dos sulistas adeptos entusiastas da agricultura mecanizada. 

O ciclo da soja foi rápido e já em 1982, por ocasião do fim do “milagre econômico” brasileiro, houve quem dissesse que não tinha sido bom. No Sul, concluiu-se que ela fora boa para poucos e ruim para muitos.

Como uma espécie de menina dos olhos das autoridades econômicas do regime militar vigente no período 1964/1985, a soja tornou-se um ente diferenciado no meio agrícola brasileiro. Apesar de embalada por uma certa mística de redentora dos famintos – para o que muito contribuiu o empenho de técnicos como José Gomes da Silva na difusão do poder nutricional da soja –,  ela marcou o fim do romantismo na exploração da terra. A agricultura colonial de subsistência morreu nas garras da mecanização imposta pela lavoura sojeira.  

A soja deu um novo corpo à agricultura brasileira,  fortaleceu e diversificou a agroindústria, sustentou a ampliação da suinocultura e da avicultura, motivou a modernização da infraestrutura de transporte e modificou hábitos alimentares.

A soja alimentou a esperança de milhões de pequenos agricultores e depois, com crueldade até, mostrou que na terra é preciso ser profissional para ter competitividade. 

Sob o império da soja, o arado, símbolo da agricultura, atingiu o ápice e entrou em decadência. A revolução da soja impôs as técnicas de semeadura direta nos campos enquanto nas cidades deu asas a um fenômeno internacional conhecido por agribusiness.

Em resumo, a soja propiciou uma dupla modernização do  Brasil. Primeiro, fez este país voltar-se para dentro de si mesmo, iniciando (sem o menor respeito ambiental, é bom lembrar) a exploração de grandes regiões do interior, especialmente nos cerrados do Centro-Oeste. Por outro lado, a soja obrigou o Brasil a se organizar melhor para operar eficientemente no mercado internacional. Nesse duplo movimento, um para dentro, outro para fora, in e yang, o rico grãozinho nativo da Manchúria mudou o curso da agricultura brasileira.   

Em resumo, sob inspiração norte-americana, participaram desse empreendimento sócio-econômico os seguintes atores:

  - agricultores dispostos a crescer segundo o modelo americano de mecanização da lavoura

- fabricantes de óleos vegetais e de rações animais

- indústrias de máquinas e implementos agrícolas

- fábricas de adubos e de agroquímicos

- criadores de aves, suínos e bovinos

- ramos tradicionais e modernos da indústria alimentícia

- exportadores de commodities

- técnicos especializados em melhoramento genético e cuidados fitossanitários

- governantes conscientes da necessidade de gerar receitas cambiais para honrar compromissos internacionais do Brasil.

- consumidores em cuja vida a soja aparece não só como um alimento nutritivo e saudável, mas como uma matéria-prima extraordinária.

A presença da soja no cotidiano do Brasil moderno começa com a margarina no café da manhã, passa pelo óleo de soja usado na cozinha, está no hambúrguer, na salsicha, nos matinais, nos pães especiais, nos achocolatados. 

Se a cana é a mãe inconteste da agricultura brasileira desde o século XVI e o café reinou soberano por mais de 200 anos, a soja fez por merecer o título que batiza este ensaio.   

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